Escola de SP exige ‘cabelo liso e solto’ de alunos

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Comunicado de caráter racista causou polêmica nas redes sociais; escola diz que lamenta o ocorrido

 

Comunicado enviado pela escola aos pais dos alunos / Reprodução/ Facebook

 

Por: Diário SP Online
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A escola Associação Cedro do Líbano de Proteção à Infância, localizada na Zona Sul de São Paulo, causou polêmica nas redes sociais no início desta semana após enviar um comunicado de caráter racista aos pais dos alunos.

O aviso dizia que para a apresentação de Natal ficasse ainda mais bonita, as meninas deveriam ir ao colégio nesta quinta-feira (3) de “cabelo liso e solto”.

 

Na página do facebook da instituição, os internautas se dividem em criticar e defender a escola. “Gente, minha filha não é negra, porém também tem cachos lindos. Como pode isso? Não consigo acreditar até agora”, criticou uma mãe. “Vocês não tem vergonha de, sendo um ambiente educacional, se mostrarem tão preconceituosos a ponto de pedir um penteado com cabelo “liso e solto” para que uma apresentação ficasse mais bonita? É sério isso?”, indagou outro internauta.

Em contrapartida, outros defenderam a instituição. “Realmente foi um erro aquele bilhete, agora querer denegrir um trabalho lindo de mais de meio século também é um erro”, afirmou outro internauta.

Em nota, o Cedro informou que seus educadores “repudiam qualquer forma de preconceito e discriminação” e que lamenta o ocorrido. A associação funciona há 68 anos e atende crianças e adolescentes de até 18 anos de baixa renda.

Confira o posicionamento da escola na íntegra:

A Associação Cedro do Líbano de Proteção à Infância e seus educadores repudiam qualquer forma de preconceito e discriminação.

Reconhecemos e já esclarecemos sobre o equívoco da mensagem e tomamos todas as medidas administrativas cabíveis para que erros lamentáveis como esse não se repitam e possam ferir os preceitos postos na Lei 10639/2003 e Lei 11645/2008.

O ocorrido nos faz ampliar sobre a nossa visão acerca da construção coletiva de uma educação pautada no respeito à diversidade, reconhecendo as identidades de todos e todas, com práticas pedagógicas, materiais e ambientes planejados para combater o racismo, o preconceito e qualquer forma de discriminação.

Em 2016, continuaremos e ampliaremos o nosso processo de formação nesse sentido, aprofundando a discussão no caminho da construção de um currículo que vise à reeducação das relações étnico-raciais e de gênero.

Lamentamos profundamente o ocorrido e reiteramos nossa intenção de manter sempre aberto os canais de diálogo com as famílias e com toda a comunidade.

 

FONTE: http://diariosp.com.br/noticia/detalhe/88448/escola-de-sp-exige-cabelo-liso-e-solto-de-alunos

Léo Duarte

Leonardo Duarte: Ex-menino de rua, hoje Fotógrafo, Educador Social e Conselheiro Tutelar.