A cada hora uma criança é assassinada no país

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A taxa de crianças e adolescentes assassinadas no Brasil cresceu 346%, segundo o Mapa da Violência divulgado em 2012. Os assassinatos foram responsáveis por 22,5% do total de óbitos entre 0 e 17 anos. São em média 8.646 crianças assassinadas por ano, 720 por mês, 166 por semana, que corresponde a uma média de quase 24 assassinatos por dia, ou seja, a cada hora uma criança é assassinada no país.

Além da violência decorrente de tantas atrocidades, vemos somados aos números preocupantes do extermínio de crianças e adolescente, um vilão fardado e institucionalizado.

As chamadas balas perdidas, são desculpas para ocultar as “orientações” das mal aplicadas politicas de segurança publica no Brasil. A cada gatilho puxado pelo Estado, se faz mais uma vítima infantil, que perdeu seu futuro e sua utopia, perdeu o seu direito de sonhar. O perfil das 82 crianças mortas no Brasil pela polícia, em dez anos, revela que pretos e pardos são as maiores vítimas, respondendo por 73% dos registros. Esses dados reverberam a faceta genocida da polícia que deveria proteger o Estado Brasileiro.

Nós do Coletivo Nacional de Juventude Negra – Enegrecer, convidamos toda sociedade para que juntos possamos gritar “Não ao Extermínio de nossas crianças e adolescentes” neste dia 12 de outubro. A campanha ‘Brasil, Pare de Matar Crianças Negras’ tem o intuito de chamar a atenção da população brasileira para o genocídio da população negra em curso no Brasil. Além de resgatar bandeiras como o ‘Fim da Polícia Militar, ‘O fim doas Autos de Resistência’ e o ‘fim do Extermínio da Juventude Negra’.

Alguns casos nos motivaram para essa campanha. É o futuro do país sento interrompido … 1) Eduardo Felipe Santos, 17 anos, Morro da Providência, 29 de setembro de 2015

Foi assassinado por policiais no Rio de Janeiro. A cena do crime foi alterada/forjada por PMs que mataram o jovem, mesmo após a rendição do menino. Cenas filmadas por moradores que revelaram houve alteração da cena do crime cometido pelos policiais. O caso que foi registrado na delegacia da Praça da República (4ª DP) como auto de resistência. Auto esse, forjado pela policia militar.

2) Herinaldo Vinicius de Santana, 11 anos, Parque Alegria, Caju 23 de setembro de 2015

Foi morto durante tiroteio entre policiais da UPP do Caju e traficantes da Favela Parque Alegria, nesta quarta-feira. Os moradores afirmam que a criança foi atingida nas costas quando brincava, correndo nas vielas da comunidade. Policiais teriam confundido o menino com um criminoso em fuga. Herinaldo foi levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas acabou não resistindo aos ferimentos.

3) Christian Soares Andrade, 13 anos, Manguinhos, 8 de Setembro de 2015

Estudioso e engajado em projetos sociais na sua comunidade. Foi baleado após intensa troca de tiros durante operação de policiais da Coordenadoria de Operações Especiais (Core) da Polícia Civil e da Divisão de Homicídios, com apoio de Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) de Manguinhos.

4) Gilson Costa, 13 anos, Morro do Dendê, 19 de maio de 2015.

Foi um dos mortos numa operação da Polícia Civil no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, nesta terça-feira. Gilson Costa era estudante e estava no 6º ano da Escola Municipal Dunshee Abranches, também na Ilha. O menino estava com o carregador Wanderson Jesus Martins, de 22 anos, outro morto na ação. Segundo relatos de testemunhas, ambos iam comprar pão numa padaria quando ouviram tiros. Eles então correram e acabaram sendo baleados. Ainda de acordo com as testemunhas, as balas teriam partido de policiais.

5) Eduardo de Jesus Ferreira, 10 anos, Complexo do Alemão, assassinado em 2 de Abril de 2015

 Foi baleado e morreu durante uma operação do Comando de Operações Especiais (COE) – que reúne as tropas de elite da PM – no Conjunto de Favelas do Alemão. O menino brincava com um celular na porta de casa e foi confundido com um criminoso armado pela policia militar.

6)Patrick Ferreira Queiroz, 11 anos, Camarista Méier, 15 de Janeiro de 2015

Levou um tiro de fuzil no peito. Estava esperando sua festa de aniversário interrompida, o adolescente faria 12 anos em 17 de Janeiro. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) sustentou, numa nota, a versão de que o menino integrava o tráfico na região e estava com uma pistola, um radiotransmissor e uma mochila com maconha, cocaína e crack, desmentida pelo pai do menino.

7) Juan Moraes, 11 anos. Nova Iguaçu – Favela Danon, 20 de junho de 2011

Durante operação militar na favela Danon, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ), em 20 de junho de 2011, Juan Moraes, 11 anos, seu irmão Wesley, 14 anos, e Wanderson dos Santos de Assis, 19 anos, foram baleados. Wesley afirmou em depoimento ter visto o irmão sendo atingido e caindo no chão. Poucos minutos depois, o menino desapareceu. O irmão da vítima também afirmou que Juan correu dos policiais antes de ser atingido pelos disparos.Dez dias depois, peritos encontraram uma ossada em Belford Roxo, também na Baixada Fluminense, próximo ao local onde a criança foi vista pela última vez. Exames indicaram que eram os ossos de Juan.

8) Joel Conceição Castro, 10 anos, Amaralina (Ba), 22 de novembro de 2010

Foi alvejado dentro de casa, durante uma ação da PM no bairro da Amarelina. O garoto ficou conhecido por participar de uma propaganda do Governo da Bahia sobre turismo no estado. Ele aparece jogando capoeira, esporte que o tornou popular na comunidade onde morava. O menino foi atingido por um tiro no rosto quando se preparava para dormir na casa onde morava com os pais. De acordo com o laudo do Departamento de Perícia Técnica (DPT), os disparos que atingiram o menino foram feitos por um dos soldados que há 14 anos integra a corporação

* Walmyr Júnior é morador de Marcílio Dias, no conjunto de favelas da Maré, é professor e representante do Coletivo Enegrecer como Conselheiro Nacional de Juventude (Conjuve). Integra a Pastoral Universitária da PUC-Rio. Representou a sociedade civil no encontro com o Papa Francisco no Theatro Municipal, durante a JMJ.

Fonte: http://www.jb.com.br/juventude-de-fe/noticias/2015/10/11/sem-crianca-nao-ha-dia-das-criancas/

Léo Duarte

Leonardo Duarte: Ex-menino de rua, hoje Fotógrafo, Educador Social e Conselheiro Tutelar.